Os sete integrantes do BTS reunidos em uma escada escura dos bastidores, fotografados de cima, com jaquetas e calças de couro escuro com detalhes avermelhados e óculos escuros, em um corredor com painéis claros e um caminhão verde ao fundo, ao lado do título “Letra de Aliens BTS: tradução, pronúncia e o significado da música” e do logo do Bangtan Now, na capa do artigo com a Aliens BTS letra.

Aliens BTS letra: tradução, pronúncia e o significado da música

Entender o que diz Aliens BTS letra é essencial no contexto de Arirang. Como é uma música com parte em coreano – e não sou fluente nem de perto – levou uns bons minutos entre ouvi-la, ter acesso à letra, traduzir e, então, entender o tamanho da pedrada.

Eu ouvi a música no lançamento de Arirang. Entendi o inglês tranquilamente, mas o coreano passou por mim como quem ouve uma conversa no cômodo ao lado: dava para sentir o clima, já as palavras… E o clima, meu amor, era ótimo, do tipo que eu amo quando o BTS faz. Como já contei sobre o álbum Arirang, ela me ganhou de cara por ser muito diferente do que o BTS vinha lançando nos últimos anos e, ainda assim, carregar muito do DNA dos primeiros anos deles.

Ver os meninos, em pleno comeback, lançando algo tão ousado, experimental e distante do que os fãs mais recentes conheciam me deu aquela certeza: eles são incríveis, eles sabem disso, e essa versão 2.0 está melhor do que nunca. Ponto final. Palminhas também.

Aí, umas horinhas depois, a letra foi liberada e eu fui entender. O tamanho da porrada (perdão, é meu termo técnico) chegou com tudo, junto com a percepção de como aquilo se encaixa no storytelling perfeito de Arirang.

E eu não fui a única a ler com outros olhos, tá? Mais de quatro meses depois do lançamento, a música voltou ao primeiro lugar do iTunes em dezenas de países, e o motivo envolve o ARMY, um prêmio e uma categoria que eu preciso muito comentar com você. Calma, eu vou chegar lá. Antes, aperte o play (como não existe MV, o vídeo abaixo é o visualizer oficial):

Aliens do BTS: o básico que você precisa saber sobre a música

Aliens é a terceira música de Arirang, o quinto álbum de estúdio do BTS, lançado em 20 de março de 2026 pela BigHit Music. Ela mistura coreano e inglês, não tem clipe (só o visualizer no YouTube) e tem produção do americano Mike WiLL Made-It, em parceria com outros produtores. Segundo o próprio Namjoon, ela surgiu na mesma época de Hooligan, no quarto de Jung Kook e j-hope.

Nela, os sete integrantes cantam. Yoongi abre a música, j-hope vem em seguida, Jung Kook e Taehyung seguram o primeiro refrão, Jimin e Jin entram no coro, e Namjoon assume o segundo verso.

Ela nunca foi lançada como single. Mesmo assim, estreou no 47º lugar da Billboard Hot 100 e entrou no 10º lugar do Hot 100 da Billboard Brasil na semana em que as músicas do álbum ocuparam a parada brasileira todinha. Foi a coisa mais linda.

Em agosto, depois da alta de julho, ela voltou à parada de vendas digitais de músicas da Billboard (a Digital Song Sales) e chegou ao 4º lugar, um novo pico.

Ficha técnica de Aliens

Aliens

BTS · Arirang (2026)

Ficha técnica de Aliens, música do BTS no álbum Arirang
ÁlbumArirang (5º álbum de estúdio, 10º no total)
Posição no álbum3 de 14
Lançamento20 de março de 2026
GravaçãoDurante as sessões do álbum, de julho a novembro de 2025
Duração2:47
GêneroHip-hop, com inspiração nos anos 1980
GravadoraBigHit Music
ProduçãoMike WiLL Made-It, Pluss, Donut e Khaled Rohaim, com produção vocal (direção das vozes) de Pdogg
ComposiçãoMike WiLL Made-It, Namjoon, Pluss, Donut, Khaled Rohaim, Prince Charlez, Truebeatzz, James Essien, j-hope, Jung Kook, Yoongi, John Mitchell, Derrick Milano e Pdogg
IdiomasCoreano e inglês
VídeoVisualizer oficial no YouTube, sem MV

Letra de Aliens BTS, tradução em português e pronúncia

Aqui estão a letra original com a divisão de quem canta cada parte, a tradução em português e a pronúncia adaptada para você cantar junto, tanto no inglês quanto no coreano – e no chuveiro também.

Aliens – BTS

Intro
(Mike WiLL Made-It)

Verse 1: SUGA
This gon’ be the jam of the year (Ayy)
지루하고 따분해 모든 게 (모든 게)
시간은 참 빨라 tick-tock, stadium으로 집합
도대체 뭘 더 고민해? (고민해)
태생부터 다른 seven aliens (Ayy, ayy)
우릴 부러워하네 저 civilians (Ayy, ayy)
굳이 설명하기 입 아파, stadium으로 집합
도대체 뭘 더 고민해? (고민해)

Pre-Chorus: j-hope
Hello, this your, hello, this your new honey
박수 쳐, 흔들어, 중모리
Oh my god, do I look too funny?
뭐 어쩔래? Just move for me, yeah, move for me

Chorus: Jung Kook, V
From the 가나 to the 하, 우리 보고 배워놔
Yeah, we aliens
If you wanna hit my house, 신발은 벗어놔
Yeah, we aliens
어쩜 그래 shameless
예의를 차려 we aliens
해는 동쪽에서 risin’
Aliens, aliens

Refrain: Jimin, Jin, Jung Kook
Every night, every day (Ooh-ooh, ooh-ooh)
뭐든 더 빠르게 (Ooh-ooh, ooh)
매일 밤새워대 (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Yeah, we livin’ that aliens, aliens
Every night, every day (Ooh-ooh, ooh-ooh)
뭐든 더 빠르게 (Ooh-ooh, ooh)
시대가 우릴 원해 (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Yeah, we livin’ that aliens, aliens

Verse 2: RM
It goes, let me, honey, talk about the business
Everybody know now where the K is
어디까지 가니 이런 제길
저주하니 아직? 흉즉대길
Pardon, 김구 선생님, tell me how you feel (How you feel?)
영어는 또 나밖에 못 해, but that is how we kill (Woo)
눈만 또 허벌나게 큰 너희가 말하길
Are they for real? For real?

Pre-Chorus: j-hope
Hello, this your, hello, this your new honey
박수 쳐, 흔들어, 중모리
Oh my god, do I look too funny?
뭐 어쩔래? Just move for me, yeah, move for me

Chorus: Jimin, Jin
From the 가나 to the 하, 우리 보고 배워놔
Yeah, we aliens
If you wanna hit my house, 신발은 벗어놔
Yeah, we aliens
어쩜 그래 shameless
예의를 차려, we aliens
해는 동쪽에서 risin’
Aliens, aliens

Refrain: Jung Kook, V, Jimin, Jin
Every night, every day (Ooh-ooh, ooh-ooh)
뭐든 더 빠르게 (Ooh-ooh, ooh)
매일 밤새워대 (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Yeah, we livin’ that aliens, aliens
Every night, every day (Ooh-ooh, ooh-ooh)
뭐든 더 빠르게 (Ooh-ooh, ooh)
시대가 우릴 원해 (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Yeah, we livin’ that aliens, aliens

Outro: RM & SUGA & j-hope
(헛 둘) Yeah, we land on it
(헛 둘) And stand on it
(헛 둘) 찍어 put that stamp on it
Stamp on it, stamp on it
(헛 둘) Yeah, we land on it
(헛 둘) And stand on it
(헛 둘) 찍어 put that stamp on it
Stamp on it, stamp on it

Aliens – BTS – Tradução

Intro
(Mike WiLL Made-It)

Verso 1: SUGA
Essa vai ser a música do ano (Ayy)
Tudo é tão chato e entediante (Tudo)
O tempo passa tão rápido, tic-tac, todos reunidos no estádio
Afinal, o que mais há para pensar? (Para pensar)
Sete aliens, diferentes desde que nascemos (Ayy, ayy)
Aqueles civis sentem inveja de nós (Ayy, ayy)
Nem vou me dar ao trabalho de explicar, todos reunidos no estádio
Afinal, o que mais há para pensar? (Para pensar)

Pré-refrão: j-hope
Olá, esta é a sua, olá, esta é a sua nova sensação
Batam palmas, balancem ao ritmo do jungmori
Meu Deus, eu pareço engraçado demais?
E daí? Apenas dance para mim, sim, dance para mim

Refrão: Jung Kook, V
Do “ga-na” até o “ha”, olhem para nós e aprendam
Sim, somos aliens
Se quiser entrar na minha casa, deixe os sapatos do lado de fora
Sim, somos aliens
Como consegue ser tão sem-vergonha?
Tenha bons modos, somos aliens
O sol nasce no leste
Aliens, aliens

Coro: Jimin, Jin, Jung Kook
Todas as noites, todos os dias (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Tudo cada vez mais rápido (Ooh-ooh, ooh)
Passamos todas as noites em claro (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Sim, estamos vivendo como aliens, aliens
Todas as noites, todos os dias (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Tudo cada vez mais rápido (Ooh-ooh, ooh)
Esta era precisa de nós (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Sim, estamos vivendo como aliens, aliens

Verso 2: RM
É assim, deixe-me, querido, falar de negócios
Agora todo mundo sabe onde fica o K
Até onde vamos chegar? Mas que droga
Ainda estão nos amaldiçoando? A desgraça vira boa sorte
Perdão, senhor Kim Gu, diga-me como se sente (Como se sente?)
E, mais uma vez, só eu sei falar inglês, mas é assim que acabamos com tudo (Woo)
Vocês, de olhos arregalados, dizem:
Eles estão falando sério? Sério?

Pré-refrão: j-hope
Olá, esta é a sua, olá, esta é a sua nova sensação
Batam palmas, balancem ao ritmo do jungmori
Meu Deus, eu pareço engraçado demais?
E daí? Apenas dance para mim, sim, dance para mim

Refrão: Jimin, Jin
Do “ga-na” até o “ha”, olhem para nós e aprendam
Sim, somos aliens
Se quiser entrar na minha casa, deixe os sapatos do lado de fora
Sim, somos aliens
Como consegue ser tão sem-vergonha?
Tenha bons modos, somos aliens
O sol nasce no leste
Aliens, aliens

Coro: Jung Kook, V, Jimin, Jin
Todas as noites, todos os dias (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Tudo cada vez mais rápido (Ooh-ooh, ooh)
Passamos todas as noites em claro (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Sim, estamos vivendo como aliens, aliens
Todas as noites, todos os dias (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Tudo cada vez mais rápido (Ooh-ooh, ooh)
Esta era precisa de nós (Ooh-ooh, ooh-ooh)
Sim, estamos vivendo como aliens, aliens

Outro: RM, SUGA, j-hope
(Um, dois) Sim, nós pousamos aqui
(Um, dois) E nos firmamos aqui
(Um, dois) Carimbe, coloque a nossa marca nisso
Coloque a nossa marca, coloque a nossa marca
(Um, dois) Sim, nós pousamos aqui
(Um, dois) E nos firmamos aqui
(Um, dois) Carimbe, coloque a nossa marca nisso
Coloque a nossa marca, coloque a nossa marca

Aliens – BTS – Pronúncia

Intro
(Maik Uíl Mêid It)

Verso 1: SUGA
Dis gôn bi dê djém óv dê iêr (Êi)
Dji-ru-rá-go tta-bun-ré, mô-dun guê (Mô-dun guê)
Shi-gá-nun tcham ppal-lá, tic-tóc, stêi-di-âm-uro dji-páp
Tô-dê-tchê muól tó go-min-rê? (Go-min-rê)
Tê-sêng-bu-tó tá-run sé-ven êi-li-ens (Êi, êi)
U-ril pu-ró-uó-rá-nê, djó si-ví-li-ans (Êi, êi)
Gu-dji sôl-miong-rá-gui ip a-pá, stêi-di-âm-uro dji-páp
Tô-dê-tchê muól tó go-min-rê? (Go-min-rê)

Pré-refrão: j-hope
Rê-lôu, dis iór, rê-lôu, dis iór niú râ-ni
Pák-su tchió, run-du-ró, djung-mô-ri
Ôu mai gód, du ai luk tchu fâ-ni?
Muó ó-tchól-lê? Djâst múv fór mi, ié, múv fór mi

Refrão: Jung Kook, V
Frâm dê gá-ná tchu dê rá, u-ri pô-go pê-uó-nuá
Ié, uí êi-li-ens
If iú uâ-na rit mai ráus, shin-bá-run pô-só-nuá
Ié, uí êi-li-ens
Ó-tchóm gu-rê, shêim-lés
Iê-ui-rul tchá-riô, uí êi-li-ens
Rê-nun tong-djó-guê-só rai-zin
Êi-li-ens, êi-li-ens

Coro: Jimin, Jin, Jung Kook
É-vri nait, é-vri dêi (Uh-uh, uh-uh)
Muó-dun tó ppa-ru-guê (Uh-uh, uh)
Mê-il pam-sê-uó-dê (Uh-uh, uh-uh)
Ié, uí lí-vin dét êi-li-ens, êi-li-ens
É-vri nait, é-vri dêi (Uh-uh, uh-uh)
Muó-dun tó ppa-ru-guê (Uh-uh, uh)
Shi-dê-ga u-ril uó-nê (Uh-uh, uh-uh)
Ié, uí lí-vin dét êi-li-ens, êi-li-ens

Verso 2: RM
It gôus, lét mi, râ-ni, tók a-báut dê bíz-nes
É-vri-bá-di nôu náu uér dê kêi iz
Ó-di-kka-dji gá-ni, i-rón djê-guil
Djó-dju-rá-ni a-djik? Riung-djuk-tê-guil
Pár-don, Guim Gu sôn-sêng-nim, tél mi ráu iú fíl (Ráu iú fíl?)
Ióng-ó-nun tô ná-bá-kke môt rê, bãt dét iz ráu uí kil (Uú)
Nun-man tô ró-ból-lá-guê kun nó-rui-ga má-rá-guil
Ar dêi fór rí-al? Fór rí-al?

Pré-refrão: j-hope
Rê-lôu, dis iór, rê-lôu, dis iór niú râ-ni
Pák-su tchió, run-du-ró, djung-mô-ri
Ôu mai gód, du ai luk tchu fâ-ni?
Muó ó-tchól-lê? Djâst múv fór mi, ié, múv fór mi

Refrão: Jimin, Jin
Frâm dê gá-ná tchu dê rá, u-ri pô-go pê-uó-nuá
Ié, uí êi-li-ens
If iú uâ-na rit mai ráus, shin-bá-run pô-só-nuá
Ié, uí êi-li-ens
Ó-tchóm gu-rê, shêim-lés
Iê-ui-rul tchá-riô, uí êi-li-ens
Rê-nun tong-djó-guê-só rai-zin
Êi-li-ens, êi-li-ens

Coro: Jung Kook, V, Jimin, Jin
É-vri nait, é-vri dêi (Uh-uh, uh-uh)
Muó-dun tó ppa-ru-guê (Uh-uh, uh)
Mê-il pam-sê-uó-dê (Uh-uh, uh-uh)
Ié, uí lí-vin dét êi-li-ens, êi-li-ens
É-vri nait, é-vri dêi (Uh-uh, uh-uh)
Muó-dun tó ppa-ru-guê (Uh-uh, uh)
Shi-dê-ga u-ril uó-nê (Uh-uh, uh-uh)
Ié, uí lí-vin dét êi-li-ens, êi-li-ens

Outro: RM, SUGA, j-hope
(Rót, tul) Ié, uí lénd ón it
(Rót, tul) Énd sténd ón it
(Rót, tul) Tchi-gó, put dét stémp ón it
Stémp ón it, stémp ón it
(Rót, tul) Ié, uí lénd ón it
(Rót, tul) Énd sténd ón it
(Rót, tul) Tchi-gó, put dét stémp ón it
Stémp ón it, stémp ón it

O significado de Aliens BTS letra

Um aviso antes de começar: o que você vai ler é uma análise, e existem várias formas de analisar uma música. A minha leva em conta quase 14 anos meus acompanhando os meninos, muito estudo sobre a Coreia e sua cultura, pesquisa de termos específicos e um olhar de semiótica (o estudo dos símbolos e dos sentidos que eles carregam) e de semântica (o significado das palavras e de como elas mudam conforme o contexto). Entram também o contexto histórico e cultural, a comparação com o resto da discografia e a atenção ao idioma em que cada frase aparece. Nada disso saiu das vozes na minha cabeça, embora outra pessoa, ouvindo as dela, possa chegar a conclusões diferentes. E tudo bem. 😬

Aliens é a música em que o BTS meio que troca as coisas de lugar. Em vez de explicar a Coreia para quem chega de fora, como provavelmente se esperava que eles fizessem, os sete aqui assumem o papel de donos da casa e tratam o estrangeiro como uma visita que precisa seguir as regras do lugar se quiser ficar. Justíssimo, diga-se de passagem. Ninguém precisou chamar os sete de alienígenas em voz alta para tratá-los como tal, e é esse rótulo implícito que eles agora carregam como um emblema de orgulho. Meus etezinhos favoritos.

E esse tratamento tem uma origem bem concreta. Em outubro de 2025, na cúpula da APEC, em Gyeongju, Namjoon contou que, quando eles diziam ser artistas da Coreia, lá nos primórdios – e até há bem pouco tempo – ninguém perguntava sobre a música deles. Queriam saber se eram da Coreia do Norte ou do Sul, como se fosse, sei lá, um outro planeta.

Afinal, o que significa Aliens do BTS?

Aqui vai a resposta direta para quem chegou no modo busca-rápida: Aliens significa assumir com orgulho o lugar de “outro” que o Ocidente sempre reservou ao BTS. Eles nunca foram chamados de alienígenas com todas as letras, mas sempre foram tratados como tal. O bangtan pegou esse rótulo implícito, passou a usá-lo como um emblema e a cobrar de quem chega de fora o que sempre cobraram deles: aprender a língua, respeitar os costumes e seguir as regras da casa.

Quem decidiu ler a letra de verdade e tentar entender, percebe que ela constrói isso em camadas. Logo no primeiro verso, Yoongi diz que os sete são diferentes desde que nasceram, que os civilians morrem de inveja e que explicar isso dá preguiça. A escolha da palavra “civis”, inclusive, é ótima. Quem chama os outros de civis são sete homens que acabaram de cumprir o serviço militar obrigatório. Na boca deles, o termo meio que deixa claro que não, eles não estão no mesmo nível. E não estão mesmo. j-hope entra perguntando se ele parece engraçado demais e já desafia quem está rindo: o que vocês vão fazer a respeito? No refrão, o visitante recebe as instruções: aprender o alfabeto coreano do começo ao fim, deixar os sapatos na porta, ter modos. Quem entra de sapatos na casa deles e sem saber uma letra do alfabeto coreano ouve que é um “sem-vergonha”, com aquela bronca típica de dono da casa que não vai aturar visita mal-educada (eu adoro, aliás). E o lembrete de que o sol nasce no leste conclui o recado: o dia começa do lado deles.

No segundo verso, Namjoon se dirige a Kim Gu, que foi o líder do movimento de independência da Coreia e é conhecido por defender a força da cultura em vez da força militar, e pergunta como ele se sente. Dá para ler isso quase como uma prestação de contas: a Coreia forte pela cultura, que Kim Gu sonhava, hoje lota estádios pelo mundo. Namjoon comenta que todo mundo já sabe onde fica o K, pergunta se ainda estão tentando amaldiçoá-los e responde que a desgraça virou boa sorte. O verso termina no espanto de quem assiste de olhos arregalados, sem acreditar que eles estão falando sério. Mas eles estão.

A batida segue na mesma linha: um 808 pesado (808 é a bateria eletrônica de grave profundo que sustenta boa parte do hip-hop), repetitivo e sem enfeites. Não sobra espaço para leveza ali, e eu escuto nessa insistência a postura de quem não vai se dar ao trabalho de explicar de novo. Ao vivo, o tom se mantém, e nos palcos eu não vejo piscadela nenhuma, só expressões graves de quem sabe muito bem o recado que está passando.

O humor está nos detalhes (o pedido de bons modos, a provocação de Namjoon sobre ser o único que fala inglês), mas ele serve ao recado, e o recado é sério: quem quiser entrar na casa precisa aprender as regras. É por isso que a decisão do BTS sobre o Grammy, da qual vou falar logo mais, soa tão coerente com a letra.

Quem dita as regras da casa

O que lemos em Aliens BTS letra também funciona quase como um cartaz com regrinhas de convivência do tipo que a professora coloca na sala de aula com itens como “não bater no coleguinha” – só que numa versão adulta. As regras são bem claras: quer conhecer o BTS? Então precisa tirar os sapatos antes de entrar na casa deles, aprender o alfabeto coreano da primeira à última letra e bater palmas no ritmo do jungmori. O jungmori é a batida moderada da música tradicional coreana, comum no pansori – que é como se chama o canto narrativo do país.

Cada item pega um costume que o Ocidente costuma achar estranho e o apresenta como a norma ali.

Um detalhe não deixei passar batido: os refrões, que falam de noites em claro e de tudo acontecendo cada vez mais rápido. Ali eu percebi o palli-palli (빨리빨리, o “rápido, rápido” que marca o ritmo da vida coreana), outro ponto que estrangeiros estranham – e criticam absurdamente – e que o nosso querido bangtan transformou em coro.

Outra observação: no segundo verso, Namjoon faz uma provocação sobre ser o único ali que fala inglês. É bem verdade que durante a maior parte da vida do BTS, ele sempre foi a ponte entre os meninos e o resto do mundo exatamente por causa do inglês. Agora nós vemos os outros seis cada vez mais dedicados ao idioma, não porque têm obrigação, mas porque claramente entendem a importância dele no mundo. No entanto, quem assistiu ao documentário do BTS na Netflix viu a discussão sobre a pressão da gravadora por mais inglês nas músicas e a resposta do grupo foi a de que queriam mais coreano, isso sim. Ver essa mesma conversa entrar na música, em tom de provocação, tem uma ironia que eu adoro.

Porque, convenhamos, nas lives deles é um saco ver as pessoas pedindo para eles falarem inglês. A gente precisa entender o óbvio: eles são coreanos. Nós estamos adentrando a cultura deles, somos nós que precisamos nos virar pra entender. Eles têm se manifestado cada vez mais, pedindo para que parem de fazer esse pedido. É mais que justo. Além do mais, as fanbases desde o começo fazem um trabalho dedicado de tradução e sempre pudemos entender tudo, nem que fosse um tempo depois. O Weverse agora também tem legendas em qualquer língua (ok, sofríveis, mas ajudam muito já), no plano mais barato (uns R$10/mês), então não há motivo pra ficar esperando que eles falem outra língua além do coreano. A própria Aliens já avisa, em seus versos, quem é que precisa aprender.

Como a música se encaixa em Arirang

O álbum inteiro gira em torno de reafirmar quem o BTS é, e Aliens é a versão mais direta desse movimento. Body to Body abre o álbum pedindo presença física e trazendo a canção folclórica que dá nome a ele. Hooligan, logo depois, já pegava um rótulo que serviria para diminuir alguém e o vestia com orgulho. Aqui o gesto se repete com o tratamento de estrangeiro e leva a conversa para o idioma: a alternância entre coreano e inglês vira o assunto da letra, e não só um recurso.

Tem ainda uma ironia boa na ficha técnica. Um dos produtores de uma música sobre anfitriões e visitantes é americano, Mike WiLL Made-It, que também saiu em defesa do grupo nas redes quando ela voltou ao topo em julho.

De Endless a Aliens: como a música nasceu

Numa live no Weverse, em 28 de maio, Namjoon passou música por música do álbum, e a história desta foi um tanto quanto curiosa. Porque, na verdade, Aliens nasceu com outro título, Endless (infinito, em inglês), e a letra provisória falava de um caminho sem fim até o topo. Namjoon achou a ideia vaga demais, mas gostava do som das palavras, e Endless e Aliens soam parecidas. A troca manteve o encaixe sonoro e deu à música outro assunto: ela passou a dizer, nas palavras dele, “Somos alienígenas, e daí?”.

Escrever em coreano foi a parte trabalhosa da música. Ela começou com muito inglês, os outros membros tiveram dificuldades com a pronúncia e, como a música fala da Coreia, a letra passou a alternar os dois idiomas, o que levou bastante tempo para funcionar (mas dá para sentir o capricho). Namjoon também disse que esperava um efeito de inversão com o ARMY de outros países cantando junto, em que quem vem de fora se adequa às regras da casa, e que a letra pudesse virar até meme ou sátira.

Em entrevista à Rolling Stone, ele já tinha explicado que a letra pontua costumes asiáticos que estrangeiros acham esquisitos, como o pedido para tirar os sapatos e usar chinelos dentro de casa, com direito a uma bronca sobre quem sobe na cama do hotel de sapato. O álbum, disse ele, fala de orgulho de ser coreano e asiático, e a música traz referências que só quem cresceu na Coreia e no Extremo Oriente reconhecia – mas que agora, para quem quis entender melhor, passaram a ser mais conhecidas.

Aliens ao vivo na turnê Arirang

Na estreia da turnê Arirang, em 9 de abril, no Estádio de Goyang, na Coreia do Sul, ela foi a segunda música do show, logo depois de Hooligan e antes de Run BTS. É uma abertura que combina com a letra: imagine um estádio inteiro cantando que o BTS voltou e que ninguém ali vai pedir desculpa por isso, muito pelo contrário.

Aliens, o Grammy e a decisão do BTS

Em 29 de julho, os sete publicaram, cada um nas próprias redes, o mesmo comunicado: não iriam inscrever músicas no Grammy de 2027. O texto não cita nenhuma categoria, mas a leitura é óbvia. A decisão veio pouco mais de um mês depois de a Recording Academy anunciar cinco novas categorias, entre elas a Best Asian Pop Music Performance, que exige o uso significativo de um idioma asiático. Em poucas horas, como resposta, o ARMY levou a música ao primeiro lugar do iTunes, inclusive no Brasil. O comunicado dizia:

“Decidimos não inscrever nossa música para consideração no Grammy deste ano. Esperamos que nossa música possa ser ouvida e amada pelo que é, e não dividida por região ou idioma. Agradecemos ao ARMY e a todos que sempre estiveram ao nosso lado.”

O CEO da Academia, Harvey Mason Jr., disse estar triste, mas respeitar a decisão, e defendeu a categoria: segundo ele, mais categorias significam mais artistas reconhecidos, e quem se inscreve em uma categoria de gênero continua elegível para as gerais, conforme declaração à ABC News. A HYBE esclareceu depois que a decisão não representa um boicote da empresa inteira.

Para as categorias gerais, a defesa até se sustenta. Já a categoria de gênero tem regras próprias, e é nelas que a coisa aperta, ou seja: não é bem assim.

Pelo regulamento do Grammy, uma música só é elegível em um único campo de gênero, e a Academia se reserva o direito de decidir em que categoria cada inscrição fica. Para Asian Pop, por exemplo, a gravação precisa ter uso significativo de um ou mais idiomas asiáticos: palavras soltas, ad-libs e frases curtas não contam, e músicas inteiramente em inglês estão fora. Aliens passaria no critério. Já Swim, a faixa-título de Arirang, toda em inglês, não passaria. A categoria olha o idioma da gravação, e não quem canta, o que significa que um artista asiático pode ficar impedido de concorrer nela com a própria música.

Mesmo assim, a pergunta que eu faço sem rodeios continua de pé: uma categoria como essa valoriza ou segrega? O idioma como régua não é novidade na Academia: a nova Best Latin Song, que estreia na mesma edição, só aceita músicas com pelo menos 51% da letra em espanhol, o que deixa o português do Brasil de fora. Na minha leitura, a régua pesa diferente em cada caso, porque o músico brasileiro, por exemplo, raramente escreve em espanhol ou mistura idiomas, enquanto o artista asiático mistura o tempo todo (a própria Aliens está aí para provar).

E tem algo que me incomoda mais do que a régua do idioma: a forma como a categoria foi definida. Ela cobre o pop que nasce ou é amplamente reconhecido em mercados asiáticos, enquanto o pop sem adjetivo continua sendo o padrão. O asiático ganha um adjetivo e uma prateleira própria. Parece familiar? É exatamente o tratamento de “outro” que a música descreve, agora com um carimbo de premiação.

Quem acompanha o BTS há anos sabe que o Grammy sempre foi um sonho declarado dos meninos. Eles chegaram a chamar o prêmio de “último topo” a escalar, e foram indicados cinco vezes sem vencer. Abrir mão disso, antes de qualquer outro artista e, principalmente, em um ano que a possibilidade de enfim levarem o Grammy para casa era gigantesca, é um gesto enorme.

Na minha análise, que o comunicado não confirma, mas que combina com cada verso da música, eles abriram mão do sonho por respeito aos demais artistas asiáticos, e não por eles mesmos. O BTS tem um tamanho que permite a eles se darem ao luxo de não concorrer sem perder notoriedade – o sucesso deles nunca dependeu da academia. Esses artistas, como os latinos e tantos outros, querem e têm qualidade de sobra para concorrer em pé de igualdade.

A reação que mais me chamou atenção veio de dentro da estrutura do próprio prêmio. Zeena Koda, integrante do comitê consultivo da Gold Music Alliance, da Recording Academy, que contou ter trabalhado para a criação da categoria, usou os stories do Instagram para reagir à decisão do BTS. Eu li os stories enquanto estavam no ar, e o tom foi de acusação: na leitura dela, o grupo estava prejudicando os demais e agindo contra a categoria, que, segundo ela, nem era voltada a astros consagrados como eles. Ela chamou a repercussão de “campanha de imprensa” e lembrou que o BTS poderia se inscrever em outra categoria de pop. Ela também disse que o grupo poderia ter conversado em particular. Tipo… oi?

Só que o BTS não pediu boicote nenhum, não pediu o fim da categoria e não atacou ninguém. Decidiu não participar e encerrou o assunto ali. Conversar em particular também não faria sentido: eles não têm poder para mudar uma categoria do Grammy, então não havia o que negociar por debaixo dos panos. Para mim, Zeena falou no calor do momento. E o que ela disse entrega mais do que provavelmente queria: se a categoria nem foi pensada para o maior grupo de K-pop do mundo, para quem ela foi? O episódio mostra que a decisão do BTS não foi bem recebida nem entre quem ajudou a montar a estrutura da categoria.

A história não parou aí. Em 1º de outubro, a Academia confirmou que vai manter a categoria, e no dia seguinte a JYP informou que o Stray Kids também não inscreveu músicas. Fica no ar a pergunta fatídica: a premiação americana está com medo de perder seus postos cativos de artistas americanos, ou estão usando uma categoria para fingir inclusão e ganhar prestígio às custas da segregação? Eu tenho a minha resposta. E você?

Perguntas frequentes sobre Aliens do BTS

Reuni aqui as perguntas que mais aparecem sobre a música, com respostas rapidinhas.

O que significa Aliens do BTS?

Aliens é a música em que o BTS assume, com orgulho, o lugar de estrangeiro que o Ocidente sempre reservou ao grupo. Na letra, os sete se declaram alienígenas, mandam o visitante tirar os sapatos, aprender o alfabeto coreano e ter bons modos, e colocam quem os reduz no papel de quem precisa se adaptar. Namjoon resumiu a ideia como “Somos alienígenas, e daí?”.

Quem compôs Aliens do BTS?

A composição é assinada por Namjoon, j-hope, Jung Kook e Yoongi, com Mike WiLL Made-It, Pluss, Donut, Khaled Rohaim, Prince Charlez, Truebeatzz, James Essien, John Mitchell, Derrick Milano e Pdogg. A produção é de Mike WiLL Made-It, Pluss, Donut e Khaled Rohaim, com produção vocal de Pdogg.

Aliens do BTS é cantada em inglês ou coreano?

Nos dois idiomas. Os versos e os refrões alternam coreano e inglês, e a mistura é parte do tema da música.

Aliens tem videoclipe oficial?

Não. A música não tem MV (videoclipe), apenas um visualizer oficial no YouTube.

Qual foi a melhor posição de Aliens nos charts?

Estreou no 47º lugar da Billboard Hot 100 e no 10º lugar do Hot 100 da Billboard Brasil. Em julho, chegou ao primeiro lugar do iTunes em 78 regiões e, em agosto, alcançou o 4º lugar da Digital Song Sales da Billboard, o melhor resultado da música nessa parada.

Por que Aliens voltou ao topo do iTunes em julho?

Porque o BTS anunciou que não vai inscrever músicas no Grammy de 2027 e o ARMY respondeu com uma campanha de streaming. A letra, que fala em ser tratado como estrangeiro, passou a ser lida como comentário sobre a nova categoria de pop asiático. O ARMY, então, fez o que sabe fazer de melhor: comprou a música a rodo e a colocou no topo, mandando um recado claro a quem quiser ouvir. E a quem não quiser também.

O que é jungmori na letra de Aliens?

Jungmori é um ritmo moderado da música tradicional coreana, comum no pansori. Na música, j-hope o cita ao pedir palmas.

Do lado de dentro

Eu ouvi Aliens pela primeira vez sem entender metade das palavras, mas já sentindo o tamanho do recado. Depois de traduzir, de ler as entrevistas e de acompanhar o Grammy, o recado ficou nítido, e a decisão do BTS soou coerente com cada regra pregada na porta da casa.

Os sete não pediram para entrar em lugar nenhum. Disseram o que esperam de quem chega, e quem chegou, desta vez, foi a premiação mais famosa do mundo, com uma categoria de adjetivo, um regulamento que mede quanto de coreano cabe numa música e uma integrante do comitê reclamando de quem simplesmente não quis participar. A música já estava pronta meses antes de qualquer uma dessas cenas. Quase uma profecia hein santo BTS.

Sobra a plateia. Namjoon contou que esperava ver o ARMY de outros países cantando junto, o estrangeiro seguindo as regras da casa. Está acontecendo: fãs do mundo inteiro aprendendo o alfabeto coreano, decorando a pronúncia, cantando Arirang a plenos pulmões, e o ARMY brasileiro treinando coreano com a aba de pronúncia aberta no celular. A inversão que a música propõe virou uma rotina para quem os ama. Agora me conte nos comentários: você acha que o BTS acertou em ficar de fora? E qual seu verso favorito de Aliens?

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